Tempos de mudança, contra o PS

O Algarve votou à direita. Pronto. Votou como entendeu como resposta à sensibilidade que tinha relativamente à situação nacional. O Bloco de Esquerda era a 3ª força política da região e agora já não é.

Estive activamente na campanha eleitoral falando com muita gente, mas também com muita gente depois das eleições e quem ler este texto também votou e falou com muita gente.

O Bloco de Esquerda perdeu praticamente metade dos votos. Dito de outra maneira, o BE recolheu praticamente os mesmos votos que tinha recolhido em 2005.

As eleições de 2009 foram marcadas por uma contestação muito forte à esquerda da governação de Sócrates. O BE recolheu o voto de protesto à esquerda, mas isso não correspondeu a uma votação consciente no BE.

As votações nas eleições de 5 de Junho foram marcadas por uma consciente recusa da continuidade do PS no governo. As pessoas estavam fartas e o que importava era tirar o PS do Governo a qualquer preço e de qualquer modo. Isso foi patente e quem ouviu as pessoas sabe que é assim. Para quê votar à esquerda, no BE, se esse voto poderia ser a garantia de continuidade do PS. Correr com o PS era, muito pragmaticamente, votar no Coelho. Direita por direita! Mas sem qualquer reflexão conscientemente política o que as pessoas mostraram de modo claro e visceral, é que correr com o PS é votar de modo útil acumulando votos na possível alternativa. Muita gente que vota à esquerda, votou desta vez, à direita, contra o PS. Algumas das pessoas com que falei dizem: ¨Votei no Passos? Não. Votei contra o PS: Foi preciso acabar com ele!

O BE voltou, no Algarve à votação que tinha obtido em 2005. Isso corresponde à consciência de adesão à linguagem e propostas do BE e nesse sentido está tudo bem.

As eleições de 2009 foram marcadas por uma muito forte contestação à esquerda da governação de Sócrates. O BE recolheu o voto de protesto à esquerda e essa votação foi inflacionada, isto é, ela traduziu-se por uma votação em que muitos votantes, normalmente votando PS, apenas votaram no BE para contestar a política do PS.

Não os consolidamos, mas também isso não era possível, quando gente que ideologicamente vota à esquerda do PS decide que o que vale a pena é votar à direita para de um modo útil afastar o PS. Se os descontentes votassem no BE, o que teria acontecido era a vitória, embora minoritária do PS. O povo não confiou que a força do BE resultante pudesse vir a ser suficiente para alterar a natureza antipopular do PS.

O BE não mostrou vir a adquirir a força suficiente para comandar a orientação claramente assumida de direita do PS e isso era quase impossível. E o povo teve razão, não a tendo, embora tendo-a, no contexto. E o BE continuou a ter a força que já tinha antes: um deputado.

O Bloco de Esquerda apenas voltou ao seu nível real. Se o BE quiser crescer e ser uma alternativa ainda vai ter de comer muito pão. Mas, também é preciso ter consciência que é o BE quem mais verdades disse, e ainda por cima quem de facto apresenta alternativas consistentes e soluções de orientação política económica.

O Algarve precisa de um BE com dimensão para ser uma alternativa política, mas isso ainda vai levar algum tempo. E terá que ser com todos os socialistas!

José Manuel do Carmo
Membro do Secretariado Regional do Bloco de Esquerda
(publicado no diárionline)

Deixe um Comentário

Filed under bloco, legislativas'11, opinião

Deixar uma resposta

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s